A tradição nordestina se mantém viva por conta das pessoas que se reúnem para celebrar

No Recife, moradores se reúnem para não deixar a tradição do São João "morrer"

por Jameson Ramos

Desde a década de 60 que dona Juvanira Honório dos Santos, hoje com 83 anos, faz questão de ornamentar a sua casa nas datas comemorativas como Carnaval, Natal e São João. Seu amor por essas decorações é tão grande que se espalhou para as filhas, principalmente para a Rosilda da Silva Pessoa, 57 anos. Hoje é ela quem mantém viva e pulsante a tradição de “enfeitar” a Rua Albacora, que fica em Brasília Teimosa, no Pina - Zona Sul do Recife. Como um viral, os vizinhos entraram na tradição e agora estão concorrendo como a rua mais bonita do São João no concurso da Prefeitura do Recife.

“Em 2013 nós ficamos em 3º lugar. Isso para mim é uma satisfação imensa, ainda mais quando esse trabalho é reconhecido”, relata a técnica de enfermagem. Autodidata, Rosilda só precisa da ajuda dos tutoriais do YouTube para desenvolver toda a sua obra. Assim ela cria bolo, tapioca, pamonha e outras coisas mais - tudo para que a ornamentação fique perfeita.

“Eu já fico esperando a festividade chegar para enfeitar a frente da casa. Esse ano mesmo eu pedi para os vizinhos juntarem latinha de alumínio para depois vender e organizar toda a rua. Tudo o que está aqui foi eu quem fiz, com a ajuda deles, claro”, relata Rosilda.

Tudo o que faz é pensando na reciclagem. A técnica de enfermagem pegou tanto gosto pela decoração que já anda com materiais no carro para o caso de encontrar alguma coisa na rua que possa virar arte e parte da decoração da Rua Albacora.

O São João, além de ser uma expressão cultural tipicamente nordestina, também é algo que cresceu e ganhou forças nas cidades que ficam no interior dos estados nordestinos. Nas capitais, essa festividade ganhou forças com o êxodo rural. Exemplo disso é a Jailma da Silva Pessoa, originária de Ribeirão, Zona da Mata de Pernambuco. Há 20 anos morando na Rua Jornalista Campelo Júnior, em Água Fria, Zona Norte do Recife, há seis anos ela tenta replicar em sua casa tudo o que viveu na infância. “Minha mãe nunca deixou escapar épocas. Ela sempre fazia festa com a família e assim as festas foram aumentando e eu comecei a pegar o amor”, diz Jailma.

E parece que esse sentimento só vem se fortalecendo. Sem nunca ter feito algum curso de decoração, autodidata, a cada ano Jailma tenta caprichar mais na decoração, se preparando com antecedência - já que é ela sozinha quem decora todo o espaço que fica na frente de sua casa. Jailma Pessoa acaba sendo a responsável pela reunião dos vizinhos, que - assim como ela, fazem questão de não deixar as tradições juninas morrerem.

“É importante a gente não deixar o São João morrer porque é uma data comemorativa muito importante. O mundo que a gente vive hoje está se apagando, é aquela coisa onde as pessoas só vivem na internet e não aproveitam. Aqui, não. A gente quer deixar o São João vivo”, salienta Jailma.

A decoradora também está concorrendo ao “Eu Amo a Minha Rua”, projeto da Prefeitura do Recife. Além do São João, Jailma também escreve a rua para participar do concurso de Natal. Se juntar todas as premiações, já são nove troféus que ela levou para a Rua Jornalista Campelo Júnior. Confiante, Jailma espera que, entre as cinco finalistas, ela seja a grande contemplada.

A rua que ficar em primeiro lugar, a prefeitura enviará duas bandas de forró, mais um arraial. Já o 2º e 3º lugar terão uma banda, cada, mais um trio pé-de-serra. O resultado sairá na próxima quarta-feira (26) e a premiação será no Dia de São Pedro, 29 de junho.

Comentários