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Trilhos • 24/06/2017 - 16:44 • Atualizado em: 24/06/2017 - 16:59

Locomotiva do Forró faz passageiros dançarem durante percurso de 15 km

Sanfona, zabumba e triângulo marcam o ritmo da viagem

por Barbara Brandão
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Brenda Alcântara/LeiaJáImagensBrenda Alcântara/LeiaJáImagensBrenda Alcântara/LeiaJáImagensBrenda Alcântara/LeiaJáImagensBrenda Alcântara/LeiaJáImagensBrenda Alcântara/LeiaJáImagensBrenda Alcântara/LeiaJáImagensBrenda Alcântara/LeiaJáImagensBrenda Alcântara/LeiaJáImagensBrenda Alcântara/LeiaJáImagens
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Viajar de trem já não é um costume no nosso país. A não ser no São João, quando a Locomotiva do Forró leva pessoas de vários cantos do Brasil para dançar o ritmo típico da época junina, durante um percurso de 15 quilômetros, entre Campina Grande e Galante, cidades da Paraíba. O passeio, que já ocorre há 20 anos, é uma tradição e este ano passou por uma repaginada.

Albaniza Miranda, que há um ano assumiu organização da Locomotiva, conta que mudanças foram feitas para melhor receber o público. "Reformamos a parte interior dos vagões, pintamos e organizamos parte da estrutura. Um dos vagões, inclusive, ganhou um formato diferente, como o estilo antigo do transporte", explica a organizadora

Às 8h deste sábado (24), o pessoal já começa a chegar na Estação Velha, centro da cidade, de onde sai o trem. Adereços juninos parecem ser obrigatórios, todo mundo tem pelo menos um. Um trio de forró recepciona os convidados com muita animação e o ingresso também dá direito a um café reforçado, para poder aguentar as sete horas de programação.

Em média, a locomotiva recebe 800 pessoas por fim de semana. A professora Soraia Assunção e um grupo com mais 43 amigos ajudaram a lotar o transporte neste sábado. Todos eles vieram da Bahia, só pra passar o São João de Campina Grande. "Uma amiga me convidou pra conhecer a festa, e começamos a juntar as pessoas. Saímos de Salvador de ônibus e estamos aqui. Essa é a minha primeira vez no trem e estou muito animada", conta a baiana.

Já Josefa Barbosa está há 11 anos participando do evento. A senhora de 79 anos fala um portunhol, consequência dos 50 anos em que morou no Peru, mas nasceu em Campina Grande e é apaixonada por forró. "É aqui que tem forró de verdade, não esses que tocam por aí", falou com orgulho.

O motorista aciona a buzina. Dez horas da manhã e o trem parte em 30 minutos. Os vagões já estão cheios, zabumba, triângulo e sanfona dão o ritmo da dança e o pessoal já canta clássicos do forró em alto e bom som. Alguns passageiros atrasados, mas nenhum foi deixado para trás.

É hora de dar adeus. A locomotiva começa a se movimentar pelos trilhos. Na rua, algumas crianças e adultos balançam a mão dando tchau para quem embora vai. Mas ainda não acabou, domingo tem mais.

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