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Colorido • 23/06/2017 - 12:08 • Atualizado em: 23/06/2017 - 12:07

Quadrilhas juninas brincam o São João com paixão e resistência

Elas enchem os arraiais das cidades de colorido, dança e música através da dedicação de seus integrantes

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Foto: Arquivo Pessoal

Junho chega ao Nordeste trazendo uma das festas mais esperadas pelo seu povo, o São João. A festividade traz diversas tradições e celebrações que são vivenciadas, durante o mês inteiro, com muita vontade e alegria dos brincantes e, claro, muita comida de milho e fogueira acesa. Entre as brincadeiras tradicionais deste período, as quadrilhas juninas são um capítulo à parte. Elas enchem os arraiais das cidades de colorido, dança e música através da dedicação de seus integrantes.

Robson Lourenço da Silva, o Abóbora, de 38 anos, é uma destas pessoas. Ele é conferente de cargas, de profissão, e brincante de cultura popular, de coração, desde 1995. Abóbora já atuou em algumas quadrilhas como matuto, rei, noivo, coreógrafo, diretor e marcador. Hoje, ele integra a junina Chiclete com Banana, do bairro de Vila Rica, Jaboatão dos Guararapes (PE), e ocupa a posição de colaborador cultural e de fomentos.

Abóbora conta como é o trabalho da Chiclete antes dos arraiais: "Fomentamos com o grupo de apoio e com a comunidade. Fazemos feijoada beneficente, rifas, bingo e shows, tudo para arrecadar fundos, uma vez que a maior parte do elenco não trabalha e outra parte arca com suas despesas". A preparação para o São João começa cedo, no ano anterior, em setembro. É quando os integrantes começam a ensaiar os passos para o próximo espetáculo. Em média, dançam cerca de 28 casais, outras 12 pessoas ajudam na produção.

A Chiclete com Banana, assim como outras quadrilhas em todo o Nordeste, participam de concursos que elegem o melhor grupo do São João a cada ano, cada uma em seu município e, também, a nível estadual. O esforço e empenho para se sobressair na competição podem ser vistos nos figurinos luxuosos, roteiro e coreografias cuidadosamente elaborados. Alguns mais conservadores questionam a legitimidade desta manifestação atualmente sob o argumento de terem perdido sua 'raiz', mas isso não parece incomodar o brincante: "Com o passar do tempo, os grupos foram se modernizando e muitas (quadrilhas) já viraram verdadeiras empresas do entretenimento. Agora a cultura atende ao momento de nossa juventude. Às vezes, o formato do concurso faz com que haja uma preparação mais aprofundada nos temas a serem apresentados. Se inscreve quem quer pois todas já são verdadeiras campeãs só pelo enorme trabalho de colocar na rua para abrilhantar as comunidades".

Resistência

Vindos das comunidades periféricas da Região Metropolitana do Recife, e de outras cidades, as quadrilhas precisam enfrentar inúmeras adversidades para fazer o São João. Dentre elas, Abóbora lista a falta de ajuda da esfera pública: "As maiores dificuldades são a falta de apoio dos nossos governantes e a falta de políticas públicas para com a cultura local. Na nossa cidade (Jaboatão dos Guararapes) tínhamos 28 grupos e hoje, por resistência, só existem três".

Mas, ele garante que, apesar dos obstáculos, o resultado final do trabalho desenvolvido ao longo de quase um ano inteiro compensa e traz grande satisfação pessoal: "A sensação é maravilhosa. Primeiro porque nos divertimos bastante, conhecemos novas pessoas, novos lugares, aumentamos nosso conhecimento cultural com a sensação de dever cumprido ao mostrar um trabalho de 10 meses e de muito amor por esta manifestação."

Por Paula Brasileiro, publicado originalmente em https://www.uninassau.edu.br

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